Companhia Arte em Espetáculos

domingo, 20 de fevereiro de 2011

TOLERÂNCIA


“Se você tem tolerância com quem ama, amplie para quem não ama”.

Certa vez ouvi alguém dizer essa frase e pensei: Mas como?
Agindo desta maneira eu não estaria sendo falsa?
Achei que não estaria usando meu coração verdadeiro, mas apenas tendo uma determinada atitude para manter a aparência.
Se conseguimos tolerar os defeitos de quem amamos, tais como grosserias, mau humor, atitudes desagradáveis, enfim, será que a ampliação da tolerância é também uma forma de amar?
Significa que ao se tolerar, passamos a enxergar a pessoa de outra forma e então podemos nem mais enxergar seus defeitos. Se isso ocorrer, não seria a transformação do simples ato de tolerar em sentimento de amor?
Não é apenas aguentar algo insuportável, mas não dar importância aos pequenos detalhes, não deixando que coisas insignificantes sejam motivos para desavenças, que podem gerar conflitos no âmbito social, profissionl ou familiar.
No ambiente familiar é onde isso mais acontece. Famílias vivem em pé de guerra, devido à falta do amor tolerante entre casais, pais e filhos, irmãos, etc, causando afastamento entre ambos, gerando rancor, mágoa e desamor.
O amor tolerante cultivado durante toda a vida, pode alcançar a plenitude, quando praticado com persistência e respeito pelo outro, de tal forma que passa a ser natural, demonstrando a aspiração do coração verdadeiro. O que a princípio parecia falso, se transforma em verdadeiro.
Era algo que estava trancado e precisava da chave da verdadeira intenção. Às vezes a gente recebe mensagens sobre como encontrar essa chave, de maneira tão sutíl, que nem notamos.
É o caso dos recém casados, em que a esposa começou a reclamar da sogra, por motivos tais como; sua mãe me irrita, fala alto demais, dá palpites sem que eu peça, diz que preciso aprender a cozinhar, que a cor da colcha de nossa cama parece cobertura de bolo, coloca os dedos nos meus vasos e diz que minhas plantas estão morrendo de sede e qualquer oportunidade ela aproveita para dizer que eu tirei a sorte grande de ter encontrado um marido como você e sobre mim não fala nada de positivo. Ela deve me achar uma péssima esposa.
O marido, então dá uma cortada no assunto dizendo com cuidado:
– Meu bem, vou te pedir um favor. Não ligue para os comentários de minha mãe. Ela fala sem pensar, sem maldade. É o jeito dela. Não quero que você ligue para as coisas bobas que ela fala, está bem ? Acho que assim você vai conviver com ela sem problemas e eu não quero que dê importância para essas bobagens. Promete que vai tentar tolerar e compreender minha mãe? Gostaria que vocês fossem amigas. Só que isso vai depender mais de você, porque ela é mais velha e portanto é mais dicícil dela mudar. Mas ela é muito boa e gosta muito de você e isso eu posso garantir.
O jovem marido abraça ternamente a esposa, que diz:
– Está bem, eu prometo que vou tentar.
E assim foi. Daquele dia em diante, quando ela começava a se irritar com a sogra, lembrava das recomendações de seu querido esposo e então deixava passar algo que a contrariasse, não deixando penetrar em seu coração a palavra que não gostou de ouvir, ou qualquer outro comentário. Assim começou a reconhecer na sogra um ser humano sinsível, sincero, devotado, humilde, ingênuo e simples, com um passado sofrido, que demonstrou confiança na nora a ponto de lhe confidenciar suas angústias, tristezas, desventuras, amarguras, frustrações e alegrias. E assim, elas se tornaram grandes amigas.
O tempo foi passando, o casal teve filhos, que cresceram, tornaram-se adultos e casaram. Aquela nora que um dia foi quase intolerante com a sogra, acompanha com tristeza um terrível mal levar completamente a memória daquela pessoa que graças ao conselho dor marido, ela aprendeu a tolerar e consequentemente a amar.
Antes de tudo, as pessoas tem que se ver umas as outros como seres humanos. Uma nora precisa enxergar sua sogra como uma mulher assim como ela, não vê-la apenas como sogra, que tem a conotação de adversária, invasora, ou vice-versa. Ambas são seres humanos com todas as virtudes e defeitos e a única maneira de tornar essa convivência saudável é tendo tolerância.
As pessoas não se atém que o mensageiro pode ser alguém que menos pensam. Pode ser quem está ao seu lado. Ele nem sabe que foi um instrumento para o envio daquele toque sutil. No caso citado esse alguém foi o jovem marido, que conseguiu fazer a esposa destrancar o coração, ajudando-a com seu amor a usar a chave da verdadeira intenção.

“Se você tem tolerância com quem ama, amplie para quem não ama. Agindo assim voce também poderá amá-lo.

Rosana Montero Cappi

5 comentários:

Dalva Saudo, administradora do blog do CPAC disse...

Querida Rosana:

Infelizmente tenho esse defeito! Sou intolerante! O tema do texto é bom. Mais um sinal para eu trabalhar com essa minha dificuldade.

Rachel disse...

De fato e de verdade, é o que precisamos fazer. Amar o amigo é fácil. Ter amor verdadeiro é conseguir amar o inimigo!

Sonícula disse...

é, na prática o respirar fundo facilita, né?....aumentar nossa tolerância:armazenar em abundância e seremos os mais beneficiados, com certeza!...temos que ser curtos e doces!Sonícula!

SANDRA CHIAVEGATO disse...

Nossa!! Você conseguiu com poucas palavras nos mostrar como a tolerância faz parte em cada dia de nossas vidas.É muito difícil, mas não impossível. Quando compreendemos o outro e seus motivos para determinada atitude é tão fácil! O difícil é respirar fundo e chegar nessa etapa, mas devagar e com certeza vamos chegar lá!

Paulo Freitas disse...

A intolerancia é um defeito que assola a humanidade. O culpado de tudo é o estresse do dia a dia. Quanto mais afinidade temos com a pessoa, maior a facilidade de intolerancia. No trabalho é muito comum a intolerancia. O que precisamos mesmo é tentar ver no outro mais qualidades e menos defeitos. O conflito gerado pela intolerancia pode causar muitos estragos.

Parabens pelo texto.
Um forte abraço


Paulo Freitas
http://textoscompoesias.blogspot.com